Um herói Nordestino

Um herói Nordestino

            Antônio Vicente homem forte, cabra valente, que no sertão não existia mais perigosa serpente; o medo lhe aparecia e ele mostrava os dentes, a morte vinha e ele cantava o repente.
            Um revolver na cintura, causa medo até lá nas alturas, onde a candura dos anjos se transforma em enganos; na terra, na poeira, ninguém se metia com Antônio Vicente que os olhos ferram aos homens insistentes na labuta humana.
            Tal dia se seguia sem Vicente brigar, mas de sua peixeira joana ele não quis largar. Amor grande ele tinha por sua quebradora de espinhas, mas um certo rapaz metido a perigoso teve fim em seu gozo ao provocar Antônio Vicente.
            Este outro de nome desconhecido, por vias de confusão o chamaremos de João a fim de ficar conhecido.
            João no calor daquele dia, de um rigoroso verão puxou sua faca que mais parecia um facão e como lia a bíblia pôs o nome de sansão, assim fez o desafio a Antônio Vicente que de pronto aceitou a peleja.
            Saltaram de dentro do bar para o chão de terra preta, onde a pedra de calor lateja. Estava ali armado o duelo nordestino entre dois homens sem destino, João puxou o sansão e mais a boca de ferro quente, Vicente na mão só tinha joana que nunca lhe engana, deus dois passos para trás fazendo o sinal da cruz como que pedindo luz.
            João de lá fazia seu desafio:
            “Seu Vicente, por onde anda dizem que és valente, que na chuva não sente frio e que no sol nunca se ver quente, então me respondes se és homem de coragem, te desafio a pegar as balas que vou te mandar como aquelas frias aragens”.
            “Pois manda teu fogo, para ver está aqui todo o povo, de testemunha fiel de deus. Cabra frouxo fala muito e faz pouco então da lá teus tiros e rezas para ser certeiro como o guia mateiro”.
            João engatilhou sua arma, Antônio Vicente segurou sua faca; zunindo feito raio três balas voaram, no meio do terreiro as beatas oravam, o tilintar forte da peixeira joana cortando o ar, seis pedaços se viram de chumbo quente cair, como brasas em chamas que ao homem inflama, ouviu a voz rouca sair:
            “Seu covarde eu sou cabra valente” disse Antônio Vicente. “Nem tuas balas e nem tua venenosa fala, é capaz de vencer o protegido por deus, está aqui a prova para o mundo ver, que se fosse para morrer tuas balas iriam me comer”.
            João ficou nervoso, homem afoito já não estava ali, como galinha medrosa estava-se pondo a fugir.
            “Homem dos diabos, que corta chumbo no vento, nem no meu mais confortável acalento vou ter sossego na mente, sofrerei esse momento a derrota iminente, salve o santo os teus pés da loucura vigente. Desafiei um homem de verdade onde eu não tinha respeito, agora sei que és verdadeiro, vai morar sempre no peito de um sujeito derrotado”.
            “Vai com o vento se tal João, te perdoo de tua ingratidão, esquecei esta briga e vai sem intriga”.
            “Adeus seu Antônio Vicente sei que tu és realmente valente, um homem do sertão, o herói do Nordeste, como você nenhum outro pisou neste agreste”.


2012

R.Andrade

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