Diálogo com o Diabo

Diálogo com o Diabo


Estava eu de boas, curtindo minha simples e pacata vida, para ser franco, eu estava embaixo de uma arvore qualquer num lugar qualquer, pensado (uma porcaria que era a minha vida) bem, mas isso não vem ao caso, o que tenho a relatar para vocês é a seguinte história:
O diabo falou comigo!
Sim isso mesmo o próprio lucífer lá dos infernos, veio ter comigo, não me alegro muito sobre esta narrativa, mas o fato é, o capeta veio em pessoa falar comigo, não sei qual o interesse dele em mim, mas o que posso dizer? Ele é o senhor dos infernos e pode fazer o que bem entender, mas vamos ao que interessa.
Estava eu, como vocês já sabem lá embaixo da arvore, quando divaguei em meus pensamentos, várias questões surgiram em minha mente, tais como a pergunta que todos fazem em algum momento da vida, qual a minha missão neste mundo, por qual motivo estou aqui, qual o verdadeiro sentido de tudo isso? Você já se perguntou isso? Bem, nesse momento em que me encontrava, algumas das respostas que eu fazia eram respondidas como que em um sussurro, de princípio fiquei temeroso, mas à medida que as perguntas surgiam, as respostas eram jogadas em contrapartida, fiquei maravilhado, pensei comigo: é o próprio Deus falando comigo.
Fiquei maravilhado com aquilo, era algo muito incomum, ou eu estava ficando louco ou realmente uma entidade iluminada falava comigo, e eu perguntava coisas tipo “o que estou fazendo aqui neste mundo? ” E a respostas era lançada “para cumprir uma determinada missão que é necessário ser desconhecido o momento e o proposito, para que possa evoluir”
Estava maravilhado!
Até o momento da brilhante ideia de perguntar quem era o ser que conversava comigo, ou melhor me respondia, bem a esta pergunta não houve resposta.
- Não vai me responder? – Resolvi insistir.
- Tem certeza que você quer saber quem eu sou?
Minha burrice tornou-se evidente com o dialogo seguinte.
- Sim claro, se possível ver também! Quero saber o grandioso ser que fala comigo.
Seguiu-se um momento de silencio, até quando uma estrondosa gargalhada explodiu tão alto que fez as folhas da arvore e a grama do chão tremularem como se uma ventania as atingisse.
- Por que você ri?
- Ora rapaz, as pessoas têm medo de mim, e você quer me ver?
- Sim, não entendo porque tem medo de você, você é um ser muito educado e sábio.
- Realmente tenho muito conhecimento, já dei a humanidade muito de minha sabedoria. Lhes ensinei o fogo nos primórdios, muito depois mostrei como utilizar ele em maquinas, e a transforma-lo e transmutá-lo, a fazer dele pura energia, e a aprisioná-lo para nunca perde-lo.
- Minha nossa, você é incrível, vamos se mostre, não é possível que seja assim tão horrível!
Certo, sei que exagerei nessa última frase.
- Já que insiste, lá vai.
Eu nunca soube como minha cara ficou depois, mas quando eu vi  uma imagem ganhar forma, ao meu lado, primeiro parecia uma fumaça avermelhada sem definição alguma, depois foi ganhando forma, estrutura, era vermelho com braços longos, suas pernas era pernas muito peludas com a tonalidade dos pelos meio alaranjado, seus pés eram cascos negros em contraste direto com a pele vermelha, mas o estranho era a bermuda que vestia, branca com flores girassol, como a bermuda de algum surfista ou hippie, na parte de cima, vestia uma camiseta regata amarela dessa vez com caranguejos vermelhos na estampa, seu sorriso era dissimulado, com lábios negros assim como seus cascos, usava óculos aviador cujas pernas se apoiavam em orelhas de bode tão  peludas quando as de um de verdade, dois chifres se projetavam de sua testa em formato caracol, também negros, era careca.
            - Puta merda você é o diabo? – Foi a única coisa que consegui falar.
- Agora entende por que as pessoas têm medo de mim?
- Mas você não pareceu ruim, é até muito educado.
- Só por que sou o diabo tenho que ser ruim?
- Pela lógica ... sim, não?
- Claro que não, isso de que sou mau é tudo história daquele invejoso do Arcanjo Miguel.
­            - Não entendo.
- Quando fui banido de lá do céu eu estava tentando avisar lá ao Deus que ele ia ser traído, mas ele acreditou? Claro que não, tinha que dar bola ao Miguel, daí aconteceu o que você já sabe.
-Então quer dizer que você não é ruim?
- Não.
- Mentira! – Estava eu duvidando do diabo, ele pareceu incrédulo, com a acusação.
- Nossa, lá vem mais uma vez o preconceito, lá vem mais uma vez os julgamentos – ele chorava nesta parte – cara você não entende o que é passar séculos sendo acusado de algo que não fez, quando aquele jesus surgiu, eu só quis alimentá-lo naquele deserto para que o coitado não morresse de fome, e ele fez o que? Veio com cinco pedras na mão. Ingrato! Depois veio as igrejas na idade média, fazendo o terror de mim, e hoje são os pastores, cara acredita que as vezes estou repousando no meu palácio quando ouço eles me chamando até penso que seja algo sério, mas o que? É apenas mais um fingindo que está comigo, estou cansado disso cara.
- Nossa seu diabo, não imaginei que fosse assim – nesse momento realmente senti uma peninha do Luci.
- Você entende como é ruim ser eu?
- Depois disso que falou sim.
Eu podia ter mudado de assunto, ter saído de fininho, mas minha língua é grande demais, e deu no que deu.
- Então seu diabo...
- Pode me chamar de Didi, gostei de você rapaz.
- Então Didi, como é lá no inferno?
Percebi algo estranho quando riu assustadoramente daquela vez.
- Assim!!!
Bem para resumir tudo e mostrar a vocês leitores onde eu vim parar, o diabo pegou em minha mão e me trouxe para o inferno, me aprisionando aqui contra minha vontade. E hoje eu sou responsável por polir os chifres dele.
- Anda logo com isso aí animal, tenho almas para torturar daqui a pouco e eles têm que estarem brilhando.



Por: R.Andrade

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